Estudo mostra que 80% dos brasileiros priorizam preço ao invés de qualidade no momento da compra

Estudo mostra que 80% dos brasileiros priorizam preço ao invés de qualidade no momento da compra

Dados da dunnhumby sobre hábitos do consumidor apontam que, após um ano de pandemia, as pessoas sentem que estão gastando mais com comida do que qualquer outro país

De acordo com o estudo recente promovido pela dunnhumby, empresa global líder em ciência de dados do consumidor, o preço se tornou um dos principais fatores decisivos para os brasileiros no momento de compra – 80% dos consumidores priorizam o preço, ao passo que 21% colocam a qualidade em primeiro lugar. Se compararmos esse número com o levantamento realizado em maio do ano passado, onde 34% dos brasileiros afirmaram optar por produtos mais baratos, podemos ver um aumento de quase 50 pontos percentuais em menos de um ano.

A análise ainda mostra que 47% dos entrevistados compara os preços em diferentes lojas antes de efetuar a compra. Isso é um reflexo da percepção de que os brasileiros estão gastando mais com comida agora do que em qualquer outro país: 76% da população acredita que os preços dos alimentos subiram, enquanto na pesquisa realizada em março do ano passado 50% afirmou ter visto aumento nos preços durante a pandemia.

A baixa confiança na economia do país e/ou no estado das finanças pessoais, com ¾ da população preocupada com ambos fatores, também reflete na maior comparação dos preços e na priorização do valor dos produtos frente à qualidade.

Como outra forma de cortar gastos e ter mais praticidade no dia a dia, as pessoas estão comendo mais em casa do que em restaurantes e/ou deliverys. Na última pesquisa realizada pela dunnhumby em novembro de 2020, 40% dos entrevistados afirmaram estar cozinhando mais; já em fevereiro deste ano, a porcentagem subiu para 46%.

Para atender essa nova preferência do consumidor, a dunnhumby apoia os varejistas no uso da Inteligência Artificial para criar programas de promoções personalizados, que permitem às lojas entregarem as ofertas mais relevantes para cada tipo de cliente. Outro ponto considerado essencial para melhorar a performance dessas empresas é investir na produção e divulgação de marcas próprias, que costumam ter um custo menor para o público final.

A dunnhumby, que analisa dados de mais de 1 bilhão de shoppers ao redor do mundo, procurou entender os hábitos dos consumidores durante a COVID-19 no mundo e seus impactos no varejo após um ano de pandemia. A pesquisa, que já está na sexta onda e compreende o período de 18 a 24 de fevereiro, envolveu 22 países e ouviu homens e mulheres que são os principais tomadores de decisões de compra em seus domicílios.

O estudo abordou diversos tópicos que interferem no comportamento de compra dos consumidores no mundo todo, confira os outros dados levantados:

• Crescimento do e-commerce

Os brasileiros estão mais satisfeitos com a experiência das compras online. O nível de satisfação do consumidor passou de 30% em março de 2020 para 36% em fevereiro deste ano.

A tendência das compras online se consolidou no Brasil, o que coloca o país em quinto lugar no mundo, atrás apenas de países asiáticos: Coréia, China, Tailândia e Malásia, onde o e-commerce já estava bem desenvolvido antes mesmo da pandemia. 33% dos brasileiros já fazem suas compras online.

Mesmo com o aumento no índice de satisfação com o e-commerce e com o avanço da pandemia no Brasil, os consumidores não têm a intenção de trocar o modelo de compras presencial pelo virtual, visto que a frequência de visitas as lojas físicas se mantém na média de duas vezes por semana, a mesma do ano passado. Além disso, as pessoas têm se sentido mais confortáveis ao irem às compras. Em março de 2020, 73% da população alegou que não se sentia segura ao frequentar lojas e supermercados, já em fevereiro deste ano o número caiu para 50%.

• Nível de preocupação cai durante o pico da pandemia

A preocupação dos brasileiros teve uma queda de seis pontos percentuais durante o pior momento da pandemia no país. Em março do ano passado, 49% dos consumidores brasileiros afirmaram estar preocupados com os impactos da COVID – 19; já nesta sexta onda do estudo o número diminuiu para 43% apesar de o Brasil ser o segundo país mais preocupado, atrás apenas da Coreia.

Outros fatores que apontam para uma menor preocupação da população são: o aumento da frequência de visitas às lojas físicas e a diminuição de apoio às medidas preventivas recomendadas pelo governo, como o fechamento de bares e restaurantes que no início da pandemia era aprovada por 72% dos brasileiros, enquanto neste ano apenas 47% dos consumidores estão de acordo com esse tipo de determinação.

• Satisfação com os varejistas e o governo

Na última onda do estudo, realizado em novembro de 2020, a aprovação dos consumidores com a experiência nas lojas físicas foi de 45%; já na pesquisa referente a fevereiro deste ano, 51% dos brasileiros consideraram que os estabelecimentos estão fazendo um bom trabalho na pandemia. Na comparação com março do ano passado, a avaliação se manteve estável (52%).

Na análise mundial, o Brasil é o nono país com o maior nível de satisfação da população referente ao trabalho que as lojas desempenham frente ao cenário de pandemia (51%).

Por outro lado, a satisfação com o governo é cada vez menor. O nível de aprovação passou de 38% em março de 2020 para 17% em fevereiro deste ano. Já com relação às farmácias, 39% dos consumidores avaliaram que estes estabelecimentos estão fazendo um bom trabalho, enquanto em novembro esse número ficou em 34%.

• Saúde e bem estar

Em meio a pandemia, as pessoas estão passando a ter hábitos mais saudáveis e isso inclui tanto a prática de atividades físicas, quanto o maior consumo de alimentos saudáveis, que atingiu 51% dos consumidores brasileiros em fevereiro deste ano sendo, em sua maioria, pessoas que demonstram maior preocupação com a situação atual do país (60%).

Vale ressaltar que a busca por produtos orgânicos não tem apresentado crescimento, isso porque os brasileiros estão buscando uma alimentação mais balanceada, mas não necessariamente orgânica.

* Período da pesquisa

Primeira onda: 29 de março -1º de abril | Segunda onda: 11 de abril – 14 de abril |Terceira onda: 27
de maio – 31 de maio | Quarta onda: 27 a 31 de setembro | Quinta onda: 20 a 25 de novembro | Sexta onda: 18 a 24 de fevereiro

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