TI do Paraná precisa de mais “mão na massa” e menos política

Há alguns anos, acompanho de perto o desenvolvimento do setor de tecnologia do Paraná. A TI estadual conta com empresas que desenvolvem soluções de primeira linha para atender aos mais variados segmentos da economia. Quer um bom ERP, um bom CRM, alguma solução eficiente em analytics, software para o setor financeiro, varejo, indústria? Basta procurar no próprio estado, que você encontra gente competente para fornecer. Isso é fruto de esforços, por exemplo, para se alcançar certificações internacionais de qualidade de software como CMMi e ainda ter o maior número de empresas com a certificação nacional mps.br.

O Paraná sempre se destacou em nível nacional quando seus empresários fizeram o que sabem de melhor: cuidar da gestão, melhorar o desempenho, inovar no desenvolvimento de software, liderar em hardware com grandes companhias como Bermatech e Positivo Informática. E é disso que o mercado paranaense mais precisa, agora, para deixar a crise nacional para trás e seguir crescendo acima da média. Para isso, o estado precisa de lideranças empresariais focadas em geração de negócios, muito networking, cooperação e geração de oportunidades para novos negócios. O fortalecimento de Arranjos Produtivos Locais e Centrais de Negócios em regiões com Curitiba, Maringá, Londrina, Oeste, Sudoeste e Campos Gerais é vital. A representação política é importante, mas, historicamente, não alavancou o setor. Vejamos o exemplo de Curitiba: lutou para ter programas como Tecnoparque e ISS Tecnológico. Perdeu tudo com a administração municipal passada e depende, agora, do que o novo prefeito vai poder costurar sem que a arrecadação municipal, em baixa, não seja afetada. O Vale do Pinhão surge como esperança para a criação de um grande centro de inovação. Mas vai depender da adesão do empresariado.

Em nível estadual, criou-se uma importante Governança de TIC para fazer do Paraná um líder na América Latina em tecnologia. Mas esse tipo de iniciativa, gerou ou vai gerar algum negócio ou vantagem competitiva para as empresas locais? Dificilmente. A classe política está muito em baixa. Está mais preocupada, atualmente, em garantir a própria sobrevivência. Não há verbas para grandes ações de incentivo e as compras públicas locais de tecnologia não costumam mostrar muita variedade entre seus fornecedores. O futuro da TI do Paraná deve alcançar sucesso muito mais pelo esforço de seus empresários do que por um simples “beija-mão” em políticos.

Gilberto Campos
editor do Curitiba IT

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